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Recuperação de crédito: quem decide sua negociação com o banco

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“Quando a dívida aperta, muita gente acredita que “falar com o gerente” é o caminho para a recuperação de crédito. Na prática, porém, grande parte das decisões não está mais na mão de quem atende na agência. Com sistemas cada vez mais automatizados e setores separados por função (comercial, cobrança, recuperação de crédito e jurídico), o espaço de negociação muda conforme a dívida avança de estágio.

Quanto mais o caso caminha para recuperação de crédito e, depois, para o setor jurídico, menor costuma ser o poder de escolha do cliente: as condições ficam mais rígidas, a margem para desconto diminui e as decisões passam a seguir regras internas e políticas de risco. Entender essa dinâmica e contar com um advogado especialista em direito bancário nos momentos certos faz diferença entre aceitar qualquer proposta ou negociar de forma estratégica.

Por que “falar com o gerente” costuma travar tudo

O gerente de conta é, em geral, a face mais visível do banco. Ele conhece o cliente, entende o histórico e, em muitos casos, tenta ajudar. Mas isso não significa que ele possa, sozinho, decidir sobre desconto em juros, perdão de encargos ou mudança profunda nas condições da dívida.

Na maioria das instituições, o gerente tem limite de alçada para conceder benefícios e precisa seguir parâmetros definidos por setores de crédito e cobrança. Em dívidas em atraso por muito tempo, o caso costuma sair da agência e passar para áreas internas especializadas, call centers ou empresas terceirizadas. A partir daí, o gerente passa a ter mais papel de intermediário do que de decisor.

É por isso que, em muitos atendimentos, você ouve frases como “o sistema não permite”, “não tenho como alterar essa condição” ou “a proposta veio pronta”. Não é apenas falta de boa vontade: o modelo de decisão foi deslocado da agência para áreas técnicas e ferramentas automáticas, que avaliam perfil de risco, histórico de pagamento e valor de recuperação esperado.

Saber disso ajuda a ajustar a expectativa: insistir apenas em “conversar com o gerente” pode travar o processo, enquanto entender quem realmente decide e em qual estágio a dívida está permite planejar uma estratégia mais realista.

Como funciona a recuperação de crédito na prática

A recuperação de crédito não é um momento único, e sim uma sequência de fases. Em linhas gerais, o caminho costuma ser assim: primeiro, o atraso é tratado pelo setor de cobrança de curto prazo, com lembretes, ligações e ofertas iniciais de renegociação. Se o atraso se prolongar, o caso vai para áreas de recuperação de crédito, muitas vezes separadas por tempo de atraso ou tamanho da dívida.

Nessa etapa, a negociação já não é mais apenas sobre “colocar a parcela em dia”, mas sobre decidir o que o banco aceita receber para encerrar o caso. Podem aparecer propostas de acordo com desconto, liquidação à vista ou parcelamentos longos com juros. Em alguns casos, a dívida é cedida ou vendida para outra empresa, que passa a cobrar em nome próprio, com regras próprias.

O que o cliente precisa entender é que, à medida que a dívida avança nesses estágios, o tratamento fica mais padronizado e menos flexível. A margem para discutir condições específicas diminui, principalmente se o banco já provisionou a perda e trabalha a recuperação dentro de metas internas.

É justamente nessa fase que uma análise técnica do contrato e dos juros pode mostrar se vale aceitar a proposta ou se é o momento de discutir os termos com mais profundidade, com apoio de um advogado especialista em direito bancário, antes que o caso escale para o próximo nível.

O que muda quando entra no jurídico

Quando o caso chega ao setor jurídico, o cenário muda de forma mais sensível. Em vez de negociações via call center ou agência, passam a existir prazos, processos e petições. Muitas vezes, o banco já ingressou com ação de execução, monitória ou cobrança, e parte da estratégia deixa de ser apenas “negociar desconto” para incluir também a defesa formal do devedor.

Nessa fase, as propostas costumam vir mais engessadas, vinculadas ao andamento do processo e às chances de êxito do banco em juízo. As condições deixam de ser definidas por atendentes e passam a seguir pareceres jurídicos, cálculos apresentados ao juiz e riscos de penhora de bens ou bloqueio de contas.

Ao mesmo tempo, é justamente quando entra no jurídico que se abre, em muitos casos, a possibilidade de discutir juros abusivos, encargos indevidos e falhas contratuais de forma estruturada. Em vez de apenas aceitar a narrativa do banco, o consumidor pode apresentar contestação, impugnar cálculos, pedir perícia e buscar um reequilíbrio real do contrato.

Por isso, esperar o processo avançar sem reação ou tentar negociar sozinho nesse momento tende a reduzir o poder de escolha do cliente. Com a orientação de um advogado especializado, é possível transformar uma cobrança unilateral em um debate técnico, com base em provas e na legislação.

Como reunir informações para negociar com segurança

Independentemente da fase em que a dívida está, negociar às cegas é sempre arriscado. Antes de dizer “sim” a qualquer proposta, é importante ter em mãos informações básicas, que permitam entender se aquela condição faz sentido ou se apenas consolida um abuso.

Vale reunir, por exemplo:

  • o contrato original ou, ao menos, os principais termos (taxas, prazos, tipo de operação);
  • extratos detalhados, mostrando como a dívida evoluiu ao longo do tempo;
  • comprovantes de pagamento já realizados, para saber quanto já foi efetivamente pago;
  • as propostas de renegociação recebidas, com valor total, número de parcelas e encargos.

Com esses dados, fica mais fácil comparar números e avaliar se o acordo reduz a dívida ou apenas reorganiza o problema. Um advogado especialista em direito bancário pode usar essas informações para refazer cálculos, apontar distorções e, em muitos casos, apresentar contrapropostas mais equilibradas, com base na realidade financeira do cliente e em parâmetros de mercado.

Quando acionar um advogado bancário

Nem toda negociação exige, desde o início, a atuação de um advogado. Mas existem situações em que a ajuda de um advogado especialista em direito bancário deixa de ser opcional e passa a ser estratégica. Isso acontece, por exemplo, quando:

  • a dívida não baixa mesmo com pagamentos constantes;
  • as propostas de acordo parecem sempre favorecer o banco e nunca aliviam o saldo;
  • o caso já foi encaminhado para recuperação de crédito ou jurídico;
  • existem ameaças de bloqueio, penhora ou processo judicial;
  • você sente que não entende mais o que está sendo cobrado.

Nesses cenários, o advogado não entra apenas para “brigar com o banco”, mas para organizar informações, explicar os cenários possíveis e ajudar você a escolher, com base em números e não só em pressão emocional.

Quando o caso muda de setor dentro do banco, o seu poder de escolha tende a diminuir. Quanto antes você tiver apoio técnico, maior a chance de negociar a partir de uma posição de consciência, e não de medo. Em muitos casos, a diferença entre aceitar um acordo ruim e construir uma solução sustentável está justamente em ter, ao seu lado, um profissional que conhece o funcionamento interno das instituições financeiras e sabe como equilibrar essa relação.

RETOMAR O CONTROLE DA SUA VIDA FINANCEIRA É A NOSSA MISSÃO!

Artigo elaborado pelo escritório Gantus Chagas & De Rose – GCDR – Advocacia, regularmente inscrito na OAB/RS sob nº 12.111. Advogados especialistas em Direito Bancário, atendimento online em todo o Brasil.

Esse artigo possui caráter meramente informativo.

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